
Representação de um Auto da Fé [Visual gráfico. - [Lisboa : Typ. Maigrense, 1822]. - 1 gravura : buril e água-forte, p&b ; 14x20 cm. - Il. de Lavallée, J. _ História completa das Inquisições..., p. 208. - Dim. da matriz : 11,8x7,6 cm
"Auto da Fé" por Manuel J. Gandra, in "Portugal Sobrenatural, vol. I", pág. 448, Editora Ésquilo, Lisboa 2007.
Proclamação solene e pública das sentenças condenatórias proferidas pelo Santo Ofício. Realizada em praça pública, no palácio da Inquisição ou num convento (apenas para os reconciliados), tinha lugar ao domingo. Os penitentes formavam um cortejo que desfilava pelas ruas, pela seguinte ordem: os que não abjuravam, nem levavam hábito; os que abjuravam de leve; os que abjuravam de veemente; os que abjuravam em forma de judaísmo, que levavam sambenito com fogo revolto (afogueado). Havendo relaxados em carne, seguiam-se, ostentando sambenito com aspa, carocha e, por vezes, mordaça: os herejes e feiticeiros confitentes, os diminutos e simulados; os negativos convictos, os impenitentes e revogantes; os relapsos manifestos, ou por ficção de direito, e os impenitentes; os profitentes pertinazes em alguns erros contra a fé. Fechavam o préstito, providenciadas pelo alcaide do Santo Ofício: as estátuas de réus ausentes; as caixas dos ossos dos réus falecidos nos cárceres (convictos de heresia e apostasia); as arcas dos livros proibidos. Uma vez chegados ao destino, ouviam sermão e, ajoelhando diante de um tablado, onde presidiam as autoridades eclesiásticas, escutavam a leitura das respectivas sentenças. Perante um altar pronunciavam as abjurações para serem admitidos à reconciliação. Os condenados à morte, eram relaxados (entregues) à justiça secular, dizendo a Inquisição: "condena e relaxa à justiça secular a quem pede com muita instância se haja com o réu benigna e piedosamente e não proceda a pena de morte nem efusão de sangue!" O relaxado era tão só inquirido em que lei pretendia morrer: se declarasse que na de Cristo era, primeiro, garrotado e, em seguida, queimado; se na de Moisés, Mafoma ou qualquer outra, era queimado vivo. (continua)
